Sempre procurei a liberdade. Essa busca levou-me por caminhos inesperados e ensinou-me que, muitas vezes, a maior prisão está na nossa própria cabeça. Refiro-me à história que tu contaste a ti mesmo – a história que explica quem tu és, mas que, na verdade, não te dá o direito de mandar na tua vida. Muitos de nós ficam presos ao passado, deixam que a história se torne a sua identidade. Continuam a contá-la como se ainda fosse o dia de hoje, e isso impede qualquer crescimento. É muito difícil crescer quando estamos acorrentados ao que já foi.
O teu passado não é a tua identidade, é só um capítulo
Quantas vezes já te ouviste dizer, ou ouviste alguém dizer: “Ah, eu sou assim, sempre fui distraído”, ou “Eu nunca fui bom nisso”? É uma desculpa que muitos usam para não avançar. O teu passado não é nada mais do que apenas um capítulo. Não é quem tu és. Quem tu és, tu podes decidir exatamente no dia de hoje. O erro é confundir o que viveste com aquilo que és. Sim, viveste coisas, aprendeste, criaste proteções mentais que, um dia, se transformaram numa prisão. Não confias em ninguém porque já te traíram, não tentas porque já falhaste antes. O teu comportamento não é genético, por mais que a tua mãe também fosse “assim”. A tua história pode explicar parte da tua dor – e é normal – mas não justifica a tua estagnação. Lembra-te, só porque uma experiência aconteceu uma vez, não quer dizer que vai acontecer outra. Quem tentou, tentou e nunca desistiu, foi quem conseguiu, como o atleta que correu os 100 metros e não deixou que as falhas passadas controlassem o seu resultado futuro.
As três formas como o passado te controla
O teu passado controla-te de três formas muito básicas. Primeiro, pelas etiquetas que te dás. “Ah, eu sou ansioso, sou preguiçoso, sou fraco, sou assim mesmo.” Quando dizes “eu sou”, o teu cérebro aceita. Tu és 100% aquilo que dizes que és. Se continuas a repetir que és isto ou aquilo, adivinha só: vais mesmo ser. Segundo, pelo medo disfarçado de cuidado. Dizemos que temos cuidado, mas na realidade, temos medo de falhar, de ser julgados, de tentar outra vez. Não é o passado que nos prende, é a dor que tivemos. O nosso cérebro está programado para fugir da dor, e se houve dor no passado, ele vai querer proteger-nos. Mas como disse, só porque aconteceu uma ou duas vezes, não significa que acontecerá de novo. Pensa no exemplo do inventor da lâmpada, que não falhou 5 mil vezes, mas encontrou 5 mil maneiras de como não fazer uma lâmpada. É uma perspetiva brutalmente diferente.
Lealdade ao passado e a chave para a liberdade
A terceira forma é a lealdade ao passado. Ficas preso porque parece um desrespeito mudar. Melhorar parece esquecer o que viveste. Ou então ficas preso ao teu ambiente: “Se eu mudar, vou deixar de ter tempo para a minha família”, ou “vou-me tornar uma pessoa isolada”. Mas, por vezes, tens de te focar em ti mesmo, pelo menos uma vez na vida. Não tens de apagar nada da tua história, mas tens de parar de viver dentro dela. Essa é a grande chave.
Para te libertares, precisas de acreditar e sentir realmente que não és o que te aconteceu. Tu és o que tu fazes com o que te aconteceu. Como diz Tony Robbins, ou Jim Rohn, a vida não te acontece, acontece para ti. Tudo o que te acontece, acontece por uma razão, para te trazer uma mudança. Um cancro é um alerta sobre maus hábitos. Se continuas preso naquela história de “eu sempre fui assim”, isso não te leva a lado nenhum. Aquilo que tu podes fazer é trocar o “eu sou” por aquilo que queres ser, hoje. É no Pipz Club que construímos esta mentalidade, porque a liberdade começa por dentro.
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